Comportamento

Adeus ao piano

Por: Sílvia Espinoza Konrad*

O protagonista

Após 60 anos, me despeço do meu querido piano. A separação foi inevitável, pois pela falta de uso, estava desafinado, muitas notas emperradas já não tocavam mais.

Logo depois da realização de um orçamento para os devidos reparos, verifiquei que o valor estipulado era bastante alto, inviabilizando o conserto. E se optasse em fazê-lo e continuasse não utilizando, seria um reparo inútil. A opção foi vendê-lo, já que não pretendia mais tocá-lo e, meu filho e netos, nunca se interessaram em aprender.

Choro quando lembro dele, mas não tinha outra alternativa. Pensei muito em quando eu não estiver mais por aqui. O que fariam com ele? Sabemos que os jovens são muito diferentes de nós. A maioria não se apega aos bens materiais. Pode ser que dessem um destino que eu não gostaria… Então foi melhor assim.

O moço que o adquiriu, assim como os responsáveis pelo transporte ficaram admirados com o estado impecável do piano: sem riscos e sem avarias, apesar de ser um senhor 60+. Certamente, após consertadas suas teclas e da afinação, será muito bem utilizado.

Se apresentando na TV e em uma de suas audições

Presente precioso

Essa relíquia foi presente dos meus queridos pais, quando eu tinha 15 anos. Tive a oportunidade de estudar muito nele, em Piedade (SP), quando frequentava as aulas da professora Vilma Damásio e, posteriormente, no Conservatório João Batista Julião, em Sorocaba (SP), onde cursei até o sétimo ano.

Também treinei muito para tocar nas audições do Club Literário e fui organista oficial nos casamentos realizados na Igreja Nossa Senhora da Piedade (hoje Basílica Menor), quando o padre Giorgio Musizzano era o pároco. Enfim, esse piano me deu muitas alegrias. Tive até a felicidade de tocar na TV, no programa do SBT, “Cidade contra Cidade’. (Momento registrado nas duas primeiras fotos)

Embora me sinta triste, me conformo com a saudade e a gratidão aos meus queridos pais por terem proporcionado momentos tão especiais em minha vida. E quando olho o vazio que ficou em minha sala, me recordo do ditado: ‘vão-se os anéis, ficam os dedos’.

* Sílvia Espinoza Konrad, 74 anos, é professora aposentada. Casada há 49 anos, tem um filho e dois netos.

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