Comportamento

Velho, eu? Ou nós?

Por Ivani Cardoso *

O título do livro de minha autoria, “Velho, eu?”, é uma provocação. A palavra velho ainda incomoda muito, mas idoso, por exemplo, eu acho bem pior. A velhice é mais uma fase, como outra da vida, que até pode ser melhor do que as anteriores. O importante é encontrar propósitos, manter bons relacionamentos sociais e familiares, cuidar da saúde, resgatar sonhos e tirar o preconceito de dentro de você. Ser velho não é escolha, ser um velho chato, intolerante, solitário, mal-humorado e rabugento é uma opção.

Envelhecer bem é não ter medo de envelhecer, é aceitar as mudanças com sabedoria, é driblar as dores, é cuidar do corpo e da mente, é respeitar o que de fato é prioridade para você no tempo que tem pela frente. Como diz o médico e gerontólogo Alexandre Kalache, especialista no tema, só quem envelhece tem oportunidade de acertar as contas e abandonar as mágoas. Não é um grande motivo para olhar essa fase com mais suavidade e sem tantas cobranças por performances e aparência física?

Eu sempre gostei de velhos, desde jovem, adoro ouvir histórias, mas sei o quanto dá trabalho e traz insegurança essa fase da vida. A chegada dos 60 me incomodou muito mais do que eu esperava. Então fui procurar entender melhor o envelhecimento e entrei em um grupo profissional do Instituto para o Desenvolvimento Educacional, Artístico, Científico e Comércio – Ideac, fundado pela psicóloga Maria Celia de Abreu, com vários profissionais interessados no tema.

O conhecimento ameniza o medo. Hoje, mais do que nunca, sei o quanto é importante falar de velhice. Como é preciso falar de morte, de cuidados paliativos, de doenças que afetam o corpo e a mente. Escrever sobre essa etapa, a partir dos estudos e das experiências compartilhadas, é uma forma de contribuir para que outras pessoas acolham suas velhices com mais leveza, mais carinho, com novos olhares para a grande trajetória que é a vida.

Não, não há receita para envelhecer bem. Cada um de nós tem que buscar a sua. As velhices são diferentes e o que é bom para mim pode não ser para o outro. O que eu gosto? Com quem eu me sinto bem? O que deixei para trás e posso resgatar? O que me incomoda, o que eu posso mudar? Envelhecer traz desafios e uma certa desordem. É como olhar um armário e perceber que muitas coisas já não servem mais, e não apenas as roupas. É um tempo de compreender o tempo, que se transforma em uma ampulheta poderosa: somos finitos no corpo, mas não nos sonhos.

A velhice é para todos: pais, filhos e netos; profissionais de saúde que lidam com o tema no cotidiano; empresários que desenvolvem soluções para o público em questão; arquitetos que pensam espaços mais seguros; estilistas que criam roupas confortáveis e adequadas. Um universo de pessoas que cresce, consome e quer ampliar sua voz.

As receitas tradicionais sugerem atividade física, boa alimentação, cuidados com a saúde, bom humor, espiritualidade, manter bons relacionamentos, buscar um hobby, fazer meditação, ter uma boa noite de sono e por aí vai. Todos conhecem as dicas, mas nem sempre entendem que a hora é agora! E muitos velhos nem têm condições para tudo isso. Fato é que envelhecer bem pesa no bolso também.

O que pode me surpreender hoje? Acho que essa pergunta é a chave para muitas respostas. Manter a curiosidade, querer continuar aprendendo, buscar pessoas e atividades. Eu agora, aos 74 anos, estou tendo aulas de percussão e adorando. Mas pode ser canto, dança, teatro, música, pintura, o que lhe der prazer. tendo aulas de percussão e adorando. Mas pode ser canto, dança, teatro, música, pintura, o que lhe der prazer.

Ivani Cardoso é autora do livro “Velho, Eu?” (Editora Reformatório), formada em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação de Santos e em Direito pela Faculdade Católica de Direito de Santos. Trabalhou nos jornais Cidade de Santos, O Estado de S. Paulo e A Tribuna, de Santos. Atua na área de assessoria de imprensa, na produção de textos e edição. Tem a coluna Estilo BE, no Jornal Be News, do Fórum Brasil Export, e Velho, Eu? no Jornal da Orla. Já escreveu várias biografias e livros institucionais. Tem o podcast “Histórias da Vovó”, com mais de 120 histórias no Spotify e Apple Podcast. Seu livro de estreia foi “Verdades Inventadas”, obra que reúne contos.

@ivani.cardoso

ivani.cardoso.96

Linkedin: Ivani Cardoso

www.ideac.com.br

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