Saúde e Bem-Estar

A importância do sono para o corpo

Por: Fernanda Haddad*

Existem alguns pilares que contribuem para a qualidade de vida e o envelhecimento saudável. São eles: alimentação equilibrada, atividade física regular, cuidado com a saúde mental e o sono.

Não é por acaso que dormimos um terço de nossas vidas. Existem várias particularidades que acontecem durante o sono para que acordemos descansados, para realizar as tarefas do dia a dia. Sabemos que o hormônio do crescimento, o GH, é secretado durante o sono de ondas lentas, também chamado de sono profundo, que promove o desenvolvimento das crianças e, nos adultos, é muito importante para a recuperação muscular.

Conforme envelhecemos, há perda da massa magra, chamada de sarcopenia e que requer atenção especial. Deste modo, além de fazer atividade física e ter uma alimentação saudável, é preciso, também, dormir adequadamente.

Outra função muito importante do sono é a recuperação cerebral. Quando dormimos, é ativado um grande filtro denominado sistema glinfático. Todas as reações químicas ocorridas na rotina diária produzem substâncias que devem ser eliminadas durante a noite para que, ao acordar, nos sintamos descansados e ativos.

Se não dormirmos de maneira eficiente, tanto em quantidade como em qualidade, esse sistema de filtragem não atua adequadamente e sobram substâncias que deveriam ter sido eliminadas e que estão associadas ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas. Uma dessas substâncias, seria o beta amiloide, correlacionado à doença de Alzheimer. Nessa mesma linha, a consolidação do aprendizado e da memória também ocorre durante o sono, em especial o sono REM (Rapid Eye Movement ou Movimento Rápido dos Olhos), caracterizado por alta atividade cerebral, sonhos vívidos e atonia muscular (paralisia temporária do corpo).

Por fim, e não menos importante, é a imunidade. A maior parte dos anticorpos é formada durante a noite e, se não dormirmos adequadamente, podemos ter problemas relacionados ao sistema imunológico.

Vale ressaltar que existem algumas modificações do sono ao longo da vida. Via de regra, é preciso dormir o número de horas adequado para cada faixa etária., e conseguir passar por todos os estágios do sono, que vão garantir a sensação de sono reparador. A necessidade de sono em número de horas vai diminuindo conforme vamos envelhecendo.

O bebê precisa em média de 16 horas de sono. Já a criança pequena, entre 12 e 14 horas. O adolescente, em média 9 horas. E o adulto, de 7 a 9 horas.

Estudos demonstram que dormir menos do que 6 horas por noite – salvo raras exceções, que são os pequenos dormidores – estão mais propensas a doenças cardiovasculares e metabólicas.

O número de horas de sono pode ser individual, mas certamente o tempo ideal é aquele que propicia acordar se sentindo bem, ou seja dormir pouco não é um bom negócio.

* Fernanda Haddad é otorrinolaringologista, certificada em Medicina do Sono pela Associação Médica Brasileira, com Doutorado em Ciências pelo Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo, Professora do Departamento de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da mesma instituição.

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