Lazer e Entretenimento

Exposição destaca arte com resíduos sustentáveis

Você já imaginou utilizar na construção civil concreto feito com restos de comida? E substituir o nylon derivado do petróleo pelo feito de mamona e milho? Ou ainda, fabricar capacetes com conchas marinhas?

A exposição ‘Princípios Japoneses: Design e Recursos’ – que pode ser visitada na Japan House, na capital paulista – apresenta exemplos de grandes inovações ligadas à questão ambiental. São iniciativas de valorização de recursos e técnicas tradicionais japonesas, em áreas como arquitetura, design, artesanato, têxteis, itens de esporte e instrumentos musicais.

A mostra reúne 16 projetos de 14 criadores do Japão, que apostam em formas de aproveitamento máximo e minimização de desperdícios, utilizando soluções tecnológicas que repensam o uso de materiais naturais e reciclados.

Resina reciclada nas bolas de futebol

Reaproveitamento de alimentos

No Japão, atualmente, mais de 100 tipos de vegetais, frutas e grãos já se transformaram em materiais de construção ou objetos do cotidiano, como pratos, tigelas e móveis. As placas de concreto, por exemplo, são confeccionadas com resíduos de batata-doce roxa, folhas de chá, cascas de laranja e limão siciliano, milho, pimentão vermelho e uva, que são secados e transformados em pó. Em seguida, prensados a quente em um molde. Cada etapa contribui para a obtenção da cor, textura e conservação do aroma das peças. A resistência de alguns materiais derivados desses resíduos é até 4 vezes maior, quando comparada ao concreto. Uma placa de apenas 5 milímetros é capaz de suportar 30 quilos, comprovando seu potencial para se tornar elemento comum nas construções do futuro.

Outro alimento cuja fibra ganha novos usos a partir do olhar japonês é a banana. Uma técnica tradicional transforma a fibra vegetal em tecidos leves. Na exposição, o público pode ver de perto um quimono, cujo corte é pensado para ter o mínimo desperdício de tecidos durante sua confecção, feito a partir desse processo.

Já o arroz, base da alimentação do país, é utilizado de várias maneiras. Sua palha, na construção de telhados e o grão, junto com a serragem e a juta, em banquetas.

Merecem destaque também a prancha de surf feita com madeira da mesma árvore que fornece a laca – usada como impermeabilizante – aproveitando assim a planta por completo.

Tudo tem valor

A inspiração para a mostra nasceu da filosofia mottainai, que prega o “não desperdício”. O termo tem origem na junção do vocábulo de origem budista mottai (que se refere à essência das coisas e à percepção de que tudo tem valor), com a partícula nai, que indica negação na língua japonesa. A expressão costuma ser empregada quando algo ainda pode ser aproveitado.

Esse conceito, porém, não está limitado ao desperdício material. Ele propõe um melhor uso dos recursos disponíveis, mas também um grande cuidado com relacionamentos pessoais, com a natureza, e até mesmo com o tempo.

Em 2021, uma pesquisa organizada pela ONU constatou que cerca de 17% de todos os alimentos disponíveis para consumo humano no mundo são alvo de descarte anualmente, gerando grandes impactos ambientais, sem beneficiar a nutrição das pessoas e nem ter um destino adequado, como a compostagem para fertilização do solo.

Curiosidades

·         A vieira é o molusco mais consumido e um dos mais exportados pelo Japão. Entre 2021 e 2022 foram produzidas 160 mil toneladas desses seres marinhos. Para cada molusco produzido para consumo, uma concha é descartada, acumulando-se no solo sem um destino adequado, podendo causar contaminações e impactar toda uma comunidade. Do resíduo das conchas é extraído o carbonato de cálcio e, combinado com plásticos já reciclados, dá origem à matéria prima dos capacetes.

·         As bolas de futebol são confeccionadas por crianças, utilizando 54 peças de resina sintética à base de polipropileno reciclado e elastano. A parte educativa é o cerne dessa iniciativa que leva as crianças a experimentarem fisicamente o prazer de aprender e praticar o futebol.

·         Laca japonesa é o material usado para fazer pranchas de surf e skates, moldadas artesanalmente. Há registros do uso da laca no Japão de 10 mil anos. Essas madeiras são reaproveitadas após serem descascadas por ursos com suas garras e dentes. Eles removem a casca do tronco e depois se alimentam da parte mais clara das árvores, que é açucarada e rica em carboidratos.

·         Há registros de telhados de palha no país que datam do século VIII. Eles garantem grande conforto térmico, com boa insolação e ventilação e são resistentes à água. Podem ser feitos de bambu, corda e palha de arroz, esta mais utilizada por estar tradicionalmente relacionada à cultura japonesa. O exemplar exibido na exposição é feito de junco, espécie cultivada em abundância no município paulista de Registro.

Serviço

‘Princípios Japoneses: Design e Recursos’

– Japan House São Paulo

Avenida Paulista, 52 – São Paulo-SP

– Até 4 de maio de 2025

– De terça a sexta-feira, das 10h às 18 horas; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19 horas

– Entrada gratuita

A exposição conta com Libras, obras táteis e áudio descrição como recursos de acessibilidade.

Agendamento opcional em:

https://agendamento.japanhousesp.com.br

japanhoussesp.com.br

@japanhousesp/