Beleza, Estética e Moda

A escolha do que vestir com sabedoria

Por Priscilla Augusto*

Na hora de montar o guarda-roupa, o mais importante é ser coerente com a identidade, rotina, estilo de vida, características físicas e momento atual. Mulheres 60+ não devem seguir critérios específicos por causa da idade. Na consultoria de imagem, eu gosto de pensar no guarda-roupa como uma extensão da identidade. Antes de perguntar o que uma mulher de 60 anos pode usar, precisamos perguntar: quem é essa mulher agora? O que ela deseja comunicar e como ela quer se sentir ao se vestir?

É claro que alguns aspectos práticos podem ganhar importância com o passar dos anos — conforto, mobilidade, qualidade e tecnologia dos tecidos, modelagens que acompanhem o corpo atual, facilidade de vestir e adequação às diferentes atividades da rotina. Mas isso não significa, de forma alguma, restringir a criatividade ou a personalidade.

Helena Cristina de Oliveira Augusto, de 68 anos, mãe de Priscilla, participa de desfiles de moda

Essa mulher pode ter personalidade de estilo clássico/sofisticado, contemporâneo, artístico, glamoroso, natural, nostálgico ou, até mesmo, jovial. A idade não é determinante, pois o modo de se trajar se refere à instância da essência individual, acima da moda ou das tendências.

Além disso, é uma geração que atravessou transformações sociais e culturais enormes. Cresceu em um mundo analógico, acompanhou a revolução tecnológica, viu mudanças nos papéis femininos, no mercado de trabalho, nos relacionamentos e agora vive a chegada da inteligência artificial. 

É uma mulher com repertório, experiências e referências muito particulares. Por isso, um guarda-roupa realmente funcional e autêntico precisa considerar no que ela se tornou ao atravessar todas essas mudanças, e não apenas a idade que aparece em seu documento.

Tipo físico – Ele é relevante, mas não deveria ser determinante. Na metodologia de consultoria de imagem, compreender a morfologia corporal permite trabalhar a harmonização da silhueta de forma consciente com proporções, linhas, volumes e pontos de destaque. Tais aspectos podem ser muito úteis para proporcionar melhor conforto, confiança e beleza, oferecendo conhecimento sobre escolhas que melhor valorizem o que a mulher deseja destacar em si. Ou então, que ajudem a disfarçar os pontos de incômodo com o corpo atual como barriga, seios, pernas, quadris, cintura e braços.

Mas existe uma diferença importante entre conhecer o próprio corpo e ser prisioneira dele. Não acredito em uma consultoria baseada em uma lista de “pode” e “não pode”. A morfologia é uma ferramenta, não uma sentença. A mulher deve poder escolher se quer equilibrar visualmente uma proporção, destacá-la ou simplesmente ignorá-la, porque aquela roupa traduz sua personalidade. 

E isso se torna especialmente importante na maturidade, porque o corpo pode passar por muitas transformações. O objetivo não deveria ser ensinar a mulher a esconder tudo aquilo que mudou, mas ajudá-la a construir uma relação mais consciente e confortável com o corpo que ela tem hoje.

*Priscilla Augusto é Consultora de Imagem e Estilo, especialista em Desenvolvimento Humano, formada pela escola francesa École Supérieure de Relooking com certificação AICI e pós graduada em Marketing e Mídias Digitais pela Fundação Getúlio Vargas – FGV. Com 10 anos de experiência, já atendeu mais de 2 mil mulheres. Além dos atendimentos individuais, atua com posicionamento para marcas pessoais, consultoria para varejo de moda e experiência do cliente.

@pryaugusto

mkt.pryaugusto@gmail.com 

Fotos: Acervo pessoal

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