Se a fase do envelhecimento requer manter a mente ativa, empreender se torna um ato providencial para proporcionar novas oportunidades, criatividade, capacidade de contornar desafios, viver de forma plena e produtiva e, sobretudo, potencializar talentos, sejam individuais ou de um grupo. Muito mais do que ser dono do próprio negócio, partir para este terreno da realização profissional, muitas vezes anos após a chegada da aposentadoria, pode ter um gosto especial.

Suely Tonarque, 75 anos, é pedagoga, Mestre em Psicologia e enveredou pelos campos do estudo e da pesquisa continuada da Gerontologia Social. É coautora e organizadora do tema, do livro “Empreendedorismo 60+, Valendo-se da Experiência para se Reinventar”, da Portal Edições, lançado há menos de um ano.
Segundo ela, os empreendedores seniores carregam uma trajetória de experiências e conhecimento acumulados. A maioria deles, homens e mulheres, conquistaram sucesso durante a vida em suas carreiras, mas, inquietos, cederam ao desejo de manter o ritmo de trabalho e compromissos, comuns ao universo dos negócios.
Como parte de sua memória afetiva, natural de Rancharia, Suely relata que a avó paterna Rosa Garibaldi, que vivia na mesma localidade do interior paulista, até os 76 anos fazia pão recheado com fatias de abacaxi e amendoim torrado. “Era a independência de ouro dela, que unia diversão com a sua habilidade e o dinheiro que conquistava com seu próprio esforço”. Conforme explica, o empreendedorismo da avó era enfeitado com a alegria do cotidiano, o que plantou na neta a semente e se tornou a sua mentora vital de que empreender era algo possível, sem a barreira da idade.
Para alguém que se auto intitula como uma pessoa de personalidade ativa e curiosa Suely, que atuou por longos anos no comércio de moda, tanto masculina quanto feminina, também guarda na lembrança os desfiles que a mãe, Zilda Pires da Silveira Tonarque, organizava no clube da cidade. “Muitas vezes esses momentos eram em casa mesmo e eu, minhas irmãs Sônia e Siuza e as bonecas servíamos como modelos”, num período entre os seus cinco e sete anos, quando a família mudou-se para a cidade de Araçatuba (SP). E continuou o hábito da matriarca de encomendar à uma costureira, que comparecia à residência das pessoas para prestar este tipo de serviço, um costume da época. Os trajes para a prole, incluíam fantasias carnavalescas.

Nasce uma marca estrela dos longevos
Com a Siuza, 70 anos – cujo apelido carinhoso é Duda, sua irmã e igualmente adepta do empreendedorismo, deu vida à marca de roupa das quais são sócias há oito anos: a Duda by Duda. Ambas estudiosas e dedicadas aos estilos do vestir, combinaram experiências e o gosto pela gestão para comandar a empesa. A ideia da grife é prezar por estilo e conforto, o que dispensa zíper, pences e botões, por exemplo, forma de proporcionar autonomia e identidade diferenciada aos corpos, cobertos pelas peças de roupa produzidas por elas. “Os desafios do empreendimento surgem todos os dias, sendo que um nó ainda a ser desatado é, no entender de Suely, a familiarização com as novas tecnologias”.

A dinâmica na confecção não foge à regra daqueles que tem tino empresarial genuíno. Suely destaca que o olhar para novas ideias, tendências do mercado do vestuário, cursos e a necessidade de estabelecer metas mensais, semestrais e anuais estão sempre presentes. ”Cada dia é preciso aprender, reinventar e ressignificar os propósitos do nosso negócio”. Há quatro anos, as irmãs preocupadas em inovar a arte do vestir foram em busca do processo da feltragem, tratamento especial na trama do tecido que empresta personalidade às peças, com a assinatura da etiqueta criada por elas. O recurso se aplica a casacos, vestidos, mantas, roupas de banhos com destaque para maiôs e pashminas, entre outros itens que adornam as clientes que, aliás, não são apenas mulheres da terceira idade, tendo conquistado, ainda, o gosto de um público mais jovem.
A veia empreendedora de Suely na moda ainda se respalda na literatura de sua autoria. Em 2019, lançou o livro “Vestir Com os Desafios do Envelhecimento” e cinco anos depois (2024), foi a vez da obra “Velhice e Moda, Velhice é Moda, Velhice na Moda”, ambos pela editora Portal do Envelhecimento.
@su_ dudabyduda
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Podcast – Fala para as amigas
Fotos: acervo pessoal
