Comportamento

Estilo de moradia, a escolha na longevidade

Diante dos parâmetros do que é ser velho, na sociedade atual, com a vida mais longeva e ativa, mudam, igualmente, os formatos de moradia e o bem viver se firma em pilares inovadores. Remodelam a habitação, com a escolha cada vez mais autônoma, em muitos casos com reduzida ou nenhuma interferência de familiares ou terceiros. As opções são muitas. Para citar algumas, conforme depoimentos ao Afinaidade, há quem aspire imóveis com áreas menores, sem abrir mão, sobretudo, de conforto e segurança, e outros partem para o estilo de convivência autônoma, em comunidades planejadas.

Janes Rocha: da vida pacata no interior, ao projeto de retornar à metrópole

Paulistana de nascimento, Janes Rocha, 61 anos, jornalista aposentada, solteira e sem filhos, hoje vive em casa própria, em Mogi Mirim, Interior de São Paulo, onde compartilha a rotina com o pai. Sobre o modo de viver, de acordo com seus projetos pessoais, no futuro prevê migrar para um apartamento pequeno, “a energia muda com a idade e, com algumas economias, pondero fazer esta troca no estilo de morar”. Identifica a conveniência de contar com auxílio em situações de emergência, de outros moradores do condomínio. Mas o modelo escolhido por Janes visa agregar, também, segurança e maior acessibilidade. Contempla a real possibilidade de retornar à sua cidade natal, porque considera que, na metrópole, encontra boa estrutura de saúde pública, algo fundamental para ela, menos comum nas cidades de menor porte. Das conversas com os amigos ela extrai que, no conjunto das pessoas, falta planejamento e um olhar mais realista para a moradia na maturidade. “Além de não arquitetarem o futuro nesse sentido, retardam a decisão porque muitos deles ainda trabalham, alguns até no formato presencial”, avalia. No conceito de qualidade de vida, morar adequadamente representa 50% de seu objetivo, seguidos dos 30% que destina aos cuidados com a saúde e o restante remete a outras questões importantes, porém menos prioritárias. Dona de espírito livre e aventureiro, revela um sonho antigo que ainda nutre: morar sobre rodas. Ter um motorhome e viver de forma itinerante, cozinhar e manter uma minibiblioteca dentro do veículo. “Igual a um caramujo”, diverte-se, ao admitir que já chegou a pesquisar sobre o assunto.

Cristiane Kämpf, simpatizante do estilo de moradia comunitária 

Cristiane Kämpf, 52 anos, prioriza momentos de lazer ao lado da família e amigos. Ela, que nasceu em Campinas (SP), fala do que gosta de fazer: viajar, ler sem pressa, assar bolos e preparar doces, assistir a filmes e séries, caminhar, cuidar de plantas, andar de bicicleta, entre outras coisas. Casada e sem filhos, a jornalista de formação e que ainda atua como assessora de imprensa, relata que desde os 45 anos analisa, junto com o marido, como desejariam estar após os 60 anos. “Passamos a ler matérias na imprensa e a buscar informações sobre o cohousing, que combina áreas privativas com ambientes em uma comunidade”, relaciona. Hoje Cristiane, que vive numa casa fora de condomínio, na cidade paulista de Limeira, afirma apreciar muito a ideia de envelhecer e morar entre amigos, “construir uma vizinhança intencional, comungar projetos, responsabilidades, decisões e alegrias, mas também dificuldades próprias da convivência em grupo”. Entre os ganhos desse estilo de morar, ela classifica que se trata de perspectiva para o público sênior que valoriza a convivência, a autonomia e a possibilidade de manter a vida ativa na maturidade. A meta “é ter conforto num imóvel nem maior nem menor do que o necessário, e bem planejado para cada momento da vida, com boa localização, em ambiente arborizado e seguro, de preferência com serviços e comércios por perto”. Mas, no seu ideal, um aspecto que pretende não abrir mão é o da privacidade.

Jane Sendra, espaço reformulado para a maturidade mais segura

Para a educadora Jane Elizabeth Sendra, 78 anos que, mesmo após a aposentadoria, se dedicou a dar aulas de recuperação de história, disciplina da sua formação acadêmica, para adolescentes de escolas particulares e atuou como voluntária na alfabetização de adultos, na longevidade o ato de morar significa paz e recolhimento. Natural de Santos, no litoral paulista, ela vive independente em seu apartamento de 57 metros quadrados, no bairro paulistano da Aclimação, para onde se mudou há duas décadas. A decisão, tomada há cerca de um ano, foi contratar reforma no imóvel, mais estrutural do que estética, com itens que considera essenciais para se sentir melhor no espaço nesse momento da vida. Providenciou piso antiderrapante, banheiros com barras de apoio, película no vidro do box do banheiro, que protegem caso o material se rompa e tapetes presos ao piso com fita aderente, para assegurar o ir e vir longe de risco de quedas. Alterou ainda a cor das paredes para cinza claro e instalou portas dobráveis para melhor aproveitamento do espaço. E seguiu com a modificação de hábitos como doar parte da roupa de cama, eliminar alguns móveis, utensílios e objetos de decoração, em favor do conforto. Jane mantém a vida em harmonia com vasos de plantas que ela mesma cultiva na varanda, passatempo predileto e a companhia de dois gatos. Na área comum do edifício, piscina com água aquecida, sala de aparelhos dedicados à atividade física e um jardim bem cuidado complementam as necessidades da moradora, que se incomoda apenas com o excesso de tecnologia da portaria eletrônica. Mantém a mesma faxineira semanal há 25 anos e não descarta a possibilidade de recorrer à rede de apoio no futuro, que inclua a presença de uma cuidadora dentro de casa.

Fotos: Arquivo pessoal.

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